A Pre-História da Antropologia

Por Josias Silva

Fichamento Livro “Aprender Antropologia” A Pre-história da antropologia: a descoberta das diferenças pelos viajantes do século XVI e a dupla resposta ideológica dada daquela época até nossos dias.
( pp. 36-53).

Primeiro Capítulo. LAFONTINE, Francois: Aprender Antropologia. Brasiliense, São Paulo, 2003.

1. Lafontine faz uma breve análise antropológica dos índios na descoberta do Novo Mundo a partir de olhares diferentes: Uma visão religiosa – dos missionários como de rechaço e a pergunta: “o selvagem tem alma? “O pecado original também lhes diz respeito?”, tal como Sepulvera sugere que os “bárbaros” teriam que submeter as leis do “império dos príncipes” e se deveria “impo-lo pelo meio de armas” se recusarem. E outra mais humanista, como a do teólogo dominicano Las Casas que chega a dizer que a forma de vida desse povo era superior em vários aspectos do que as dos europeus. (p.39).

1.2 Além das questões religiosas citadas acima em relação ao índio, existiam questões como a aparência física, comportamento, costumes e língua ininteligível. Diz Lafontine: “Assim não acreditando em Deus, não tendo alma, não tendo acesso à linguagem, sendo assustadoramente feio e alimentando-se como animal, o selvagem é apreendido nos modos de um bestiario” (p.41).

2. Lafontine cita vários exemplos de escritores como Gomara, Ociedo, Pauw, entre outros, que escreveram a favor da aculturação ou proselitismo por parte dos europeus, se referindo aos índios como pessoas selvagens, embrutecidos, desprovidas de cultura, de alma, de moral, sendo necessário fazer com que eles deixassem seus costumes para ser um cristão e ter “bons hábitos, arte, costumes policiados para viver melhor” (pp. 42-43).

2.2. A figura do bom selvagem e o mal civilizado.Já na página 46 em diante Lafontine apresenta autores que se contrapunham a esta visão do índio como um selvagem ou bárbaro. Citando Américo Vespucio “As pessoas estão nuas, são bonitas, de pele escura, de corpo elegante… Nenhum possui qualquer coisa que seja, pois tudo é colocado em comum”. A idéia de ser humano visto nos índios, segundo Américo, era em muito, melhor do que nós, ditos “civilizados”.

3. Lafontine citando o espetáculo de “O Arlequim Selvagem”, ressalta a fala de Huron, um dos personagens. que faz uma crítica aguda à cultura ocidental: “Vocês são loucos, pois procuram com muito empenho uma infinidade de coisas inúteis; vocês pobres, pois limitam seus bens ao dinheiro, em vez de simplesmente gozar da criação, como nós, que não queremos nada a fim de desfrutar mais livremente de tudo” (p.49).

4. Nas análises dos capítulos propostos, o que Lafontine propõe com essa dicotomia de olhares de alteridade, não é um jeito novo de fazer etnologia ou, se quiser, antropologia, mas um olhar, segundo ele, “pre-antropológico”. Ou seja, algo que se despi de estereótipos científicos e cultural, para enxergar o índio em seu mundo como um ser social. O que, tal como o autor propõe, é mais civilizado do que nós. (p.53).

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Antropologia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s