Do Renascimento à Ilustração

Resumo

Por Josias Silva

FONTANA, Josep. História: Análise do Passado e Projeto Social. pp. 41-45  Bauru: EDUSC, 1998.

Do Renascimento à Ilustração

Segundo Fontana a historiografia, até alguns tempos atrás, era meramente cultural preocupando-se acima de tudo com o valor moral, imitando historiadores como Salústio, Tito Lívio e Cícero; para tanto, a exatidão das narrativas era secundária. Com as novas formas de historiografia, deixa-se de ver a historia como providencial, para vê-la como decorrência de resultados humanos. A crise das velhas formas de governo (monarquia) e a interpretação tradicional da história daria lugar às novas formas históricas. Na cidade do Renascimento – Florença -, por exemplo, a historiografia passa ser muita mais política do que cultural; as lutas pela liberdade republicana foi um estimulo para a cultura de Florença. (p.41).

Desde então já não se valia de interpretações, como já dito, providenciais bíblicas, mas se explora os fatos da antiguidade para valorizá-lo politicamente aprendendo com seus erros e acertos. Fontana cita homens como Coluccio Salutati, Poggio Bracciolini e Bronando Bruci reafirmando a questão política e tensões em batalhas contra a tirania que resultaram na liberdade. Agora a visão de mundo, como a física aristotélica e cosmologia ptolomaica[1], alem de questões político-histórica daria lugar para uma visão natural do mundo. (p.42)

A partir de 1494, em Florença, com a conquista da republica, houve uma maior inserção das camadas medias e populares na política. Entre fortes tensões sociais com os Médici, na segunda fase republicana, surgirão homens como Nicolau Maquiavel e Francisco Guicciardini.

Maquiavel (1469-127) de família humanista, de educação privilegiada e dedicada ao mundo dos negócios – embora fazendo parte das classes empobrecidas de Florença e com pouca chance de pleitear altos cargos –, entrou para o serviço público. Defensor da república e contra a aristocracia teve seu cargo de chanceler cassado pelos Médici (família mais poderosa de Florença) obrigando-o a exilar-se. Nesse período de distanciamento da política escreveu importantes obras como: O Príncipe; Os discursos sobre primeira década de Tito Lívio, entre outras. Segundo Fontana, a obra “O Príncipe” daria a Maquiavel uma fama equivocada por seus escritos; entre os pobres o consideram inimigo da liberdade – e, entre os ricos, arrebatador de bens, levando muitos a rejeitarem-no por suas ideias políticas. (p.43-44).[2]

Maquiavel em seus escritos vale-se da sistemática utilização da “política da história” para de forma racional aprender “com as diligencias as coisas passadas”. Assim, “Maquiavel ambicionava uma espécie de corpo doutrinal político, elaborado a partir da historia” e uso decisivo da “fortuna” ou a “virtú” – isto é, por mais exista o azar (fortuna) o homem que estiver “avisado”, ou seja, versado na história, faria “frente com possibilidade de êxito”. Numa palavra, a fortuna seria o acaso, e a virtú a forma racional voltada a pratica da historia e analises de minuciosos fatos. O autor de O Príncipe pretendia que, quem lesse seus escritos, obtivesse lições não só de uma mera “racionalização teórica”, mas de uma “política concreta”. (p.45).

Notas:

[1] Diferentemente das concepções modernas, Aristóteles afirmava que a Terra era o centro da cosmologia de forma especuladamente arquitetada. Da mesma forma Ptolomeu afirmava que a Terra era o centro do Cosmo. Até o séc. XV os pensadores não sabiam que à distancia da Terra até Vênus ou Marte é menor do à distância até o Sol; não sabiam que o Sol é idêntico as estrelas. Não sabiam que a Lua esta mais próxima da Terra do que os outros astros.  

[2] Cabe salientar que nesse momento Florença passava por uma situação econômica não muito boa, e, Maquiavel, ferrenho defensor da república, dá conselhos ao “Príncipe” como se manter no poder, sendo ou amado ou temido, valendo-se de experiências passadas para aprender com os erros e acertos que lavaram os grandes impérios, como o império grego e romano a se ergueram e a caírem. Assim, o principado se manteria no poder pela conquista e pela lições aprendida pela história. 

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